A síndrome do pânico é um tipo de transtorno de ansiedade no qual ocorrem crises inesperadas de desespero e medo intenso de que algo ruim aconteça, mesmo que não haja motivo algum para isso ou sinais de perigo iminente.

          Quem sofre do Transtorno de Pânico sofre crises de medo agudo de modo recorrente e inesperado. Além disso, as crises são seguidas de preocupação persistente com a possibilidade de ter novos ataques e com as consequências desses ataques, seja dificultando a rotina do dia a dia, seja por medo de perder o controle, enlouquecer ou ter um ataque no coração.

SÍNDROME DO PÂNICO

CAUSAS

          Ainda não foram perfeitamente esclarecidas as causas do transtorno do pânico, mas acredita-se que fatores genéticos e ambientais, estresse acentuado, uso abusivo de certos medicamentos (anfetaminas, por exemplo), drogas e álcool possam estar envolvidos.
          Alguns estudos indicam que a resposta natural do corpo a situações de perigo esteja diretamente envolvida nas crises de pânico. Apesar disso, ainda não está claro por que esses ataques acontecem em situações nas quais não há qualquer evidência de perigo iminente.

SINTOMAS

          Ataques de pânico característicos da síndrome geralmente acontecem de repente e sem aviso prévio, em qualquer período do dia e também em qualquer situação, como enquanto a pessoa está dirigindo, fazendo compras no shopping, em meio a uma reunião de trabalho ou até mesmo dormindo.

          O pico das crises de pânico geralmente dura cerca de 10 a 20 minutos, mas pode variar dependendo da pessoa e da intensidade do ataque. Além disso, alguns sintomas podem continuar por uma hora ou mais. É bom ficar atento, pois muitas vezes um ataque de pânico pode ser confundido com um ataque cardíaco. Alguns dos sintomas são: 

  • Medo de morrer;

  • Medo de perder o controle e enlouquecer;

  • Despersonalização (impressão de desligamento do mundo exterior, como se a pessoa estivesse vivendo um sonho) e desrealização (distorção na visão de mundo e de si mesmo que impede diferenciar a realidade da fantasia);

  • Dor e/ou desconforto no peito que podem ser confundidos com os sinais do infarto;

  • Palpitações e taquicardia;

  • Sensação de falta de ar e de sufocamento;

  • Sudorese;

  • Náusea;

  • Desconforto abdominal;

  • Tontura ou vertigem;

  • Ondas de calor e calafrios;

  • Adormecimento e formigamentos;

  • Tremores, abalos e estremecimentos.

Com frequência, portadores da síndrome do pânico apresentam quadros de depressão. Em alguns casos, alguns buscam no alcoolismo uma saída para aliviar as crises de ansiedade.

DIAGNÓSTICO

          Para realizar o diagnóstico, o médico poderá pedir vários exames e testes. Para começar, o especialista realizará um exame físico no paciente.
Em seguida, pedirá exames de sangue, a fim de checar o funcionamento da tireoide, e um eletrocardiograma, para verificar como está o coração.
          Além da avaliação física, uma avaliação psiquiátrica também é necessária para que o diagnóstico seja finalizado. Esta deverá ser feita por um psiquiatra.

          Durante a conversa, o profissional falará a respeito dos sintomas, situações que podem ter desencadeado momentos de estresse intenso, medos e preocupações, problemas de relacionamento e outras questões que possam estar prejudicando o paciente.

O diagnóstico será positivo para a síndrome do pânico se:

  • A pessoa sofrer de ataques de pânico inesperados e frequentes

  • Pelo menos um dos ataques tenha sido acompanhado de medo e angústia pela recorrência de um novo ataque e pelas consequências dessa nova crise, como perda de controle, ataque cardíaco ou mudanças súbitas de comportamento

  • A pessoa evitar situações que possam desencadear em uma nova crise

  • As crises de pânico não forem causados por abuso de substâncias.

TRATAMENTO

          O principal objetivo do tratamento da síndrome do pânico é reduzir o número de crises, assim como sua intensidade e recuperação mais rápida. As duas principais formas de tratamento para esse transtorno é por meio de psicoterapia e medicamentos.
Ambos têm se mostrado bastante eficientes.
          Dependendo da gravidade, preferência e do histórico do paciente, o médico poderá optar por um deles ou até mesmo por ambos, já que a combinação dos dois tipos de tratamento têm se mostrado ainda mais eficaz do que um ou outro operando isoladamente.

          A psicoterapia é geralmente a primeira opção para o tratamento de síndrome do pânico.
Existem diversas formas de psicoterapia, sendo a mais estudada e que comprovadamente tem efeitos benéficos nesse transtorno a chamada de Terapia                  Cognitivo-Comportamental (TCC). Ela poderá ajudar o paciente a entender os ataques de pânico,
a como lidar com eles no momento em que acontecerem e como ter uma vida cotidiana normal sem medo de ter um novo ataque.

          Já o tratamento à base de medicamentos inclui antidepressivos, como os inibidores seletivos
da recaptação da serotonina, como por exemplo a Paroxetina ou citalopran. Benzodiazepinas também podem ser prescritos pelos médicos.

          Os sintomas devem reduzir progressivamente em algumas semanas. Se não melhorarem, converse com seu médico. Não suspenda a medicação sem antes consultar seu médico.

RECOMENDAÇÕES

  • Sintomas físicos da doença podem ser confundidos com sinais característicos de infarto, caso se descarte uma ocorrência cardíaca, o transtorno pode ser uma suspeita;

  • Pratique exercícios físicos. Algumas das sensações que eles provocam são semelhantes às da síndrome do pânico — batimentos cardíacos acelerados e sudorese –, mas em um contexto agradável, que ajuda a tirar a identificação negativa;

  • Não se automedique nem recorra ao consumo do álcool ou de outras drogas para aliviar os sintomas. Em vez de resolver um problema, você estará criando outros;

  • Procure assistência médica. O transtorno do pânico é uma doença como tantas outras. Quanto antes for diagnosticada, melhor será a resposta ao tratamento.

CONVIVENDO/PROGNÓSTICO

          O tratamento ajuda o paciente a se recuperar da síndrome do pânico, mas algumas medidas auxiliares podem tornar o resultado ainda melhor que o esperado. Veja alguns exemplos:

 

  • Siga à risca o tratamento e as orientações médicas

  • Faça parte de um grupo de apoio e compartilhe suas experiências sobre a síndrome do pânico

  • Evite o consumo exacerbado de cafeína e bebidas alcoólicas

  • Corte as drogas recreativas

  • Pratique exercícios de relaxamento, como alongamentos, yoga, respiração profunda e relaxamento muscular

  • Pratique exercícios físicos regularmente, principalmente atividades aeróbicas

  • Vá dormir cedo e descanse. Horas regulares de sono podem ajudar a controlar o medo e ansiedade.

COMPLICAÇÕES POSSÍVEIS 

          Síndrome do pânico não tratada pode levar a complicações que podem comprometer seriamente a qualidade de vida social, profissional e de relacionamento. Entre as complicações que podem ser provocadas estão:

  • Desenvolvimento de algumas fobias específicas, como agorafobia

  • Pessoas com síndrome do pânico têm mais probabilidade de ficar desempregadas, ser menos produtivas no trabalho e de ter relações pessoais difíceis, inclusive problemas matrimoniais

  • Depressão

  • Suicídio

  • Alcoolismo e abuso de drogas

  • Problemas financeiros.

          A dependência de medicamentos contra ansiedade é uma possível complicação do tratamento. A dependência envolve a necessidade de um medicamento para poder agir normalmente e para evitar sintomas de abstinência. Não é o mesmo que vício.

COMO AJUDAR ALGUÉM 

  • Para ajudar uma pessoa que está passando por uma crise de pânico, controlar a respiração é uma das armas principais. Oriente-a se concentrar na respiração e a respirar mais lentamente;

  • Pergunte se ela toma algum medicamento para crises agudas de pânico (em caso positivo, você pode ajudá-la a tomar nessa hora);

  • Se possível, leve-a para um ambiente mais calmo e tranquilo;

  • Mude o foco dela para o momento presente (uma dica é focar em objetos que ela pode ver e tocar);

  • Converse de maneira acolhedora e jamais minimize o sofrimento dela. Não diga coisas como “isso só está na sua cabeça”, e sim frases como “eu sei que você está aflito, mas vai passar, eu estou aqui com você e vou te ajudar”. Especialmente se for o primeiro ataque de pânico, é importante buscar atendimento médico.

REFERÊNCIAS

MINHA VIDA. Síndrome do pânico: o que é, sintomas e tratamento. Minha Vida. Disponível em: < https://www.minhavida.com.br/saude/temas/sindrome-do-panico>. Acesso em: 10/08/2020

 

Varella Bruna, Maria Helena. Síndrome do pânico. Drauzio Varella.
Disponível em: <https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/sindrome-do-panico/>

Acesso em: 10/08/2020

 

MINHA VIDA. Síndrome do pânico. GARCAONLINE, 01 JANEIRO DE 2016. Disponível em: < https://www.garcaonline.com.br/2016/02/sindrome-do-panico> Acesso em: 10/08/2020

 

Canal do YouTube:DRAUZIO VARELLA.  Síndrome do Pânico | Drauzio Comenta #08, 16 DE MAIO DE 2016. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=thsBnZyUJns&feature=emb_logo> Acesso em: 10/08/2020